Caso Isolado 27 registros arquivados

Diadema — SP · 07 de março de 1997

2026-0003

Fato

07 de março de 1997

Tipo de mídia

Vídeo

Fonte

Rede Globo

Local

Diadema — SP

Corporação

PMSP · 2ª Companhia do 24º BPM/M

Descrição

Gravação de cinegrafista amador feita nas madrugadas de 3, 5 e 7 de março de 1997 na Avenida Naval, em Diadema, exibida pelo Jornal Nacional em 31 de março de 1997. As imagens mostram policiais militares montando uma barreira na via, parando carros e pedestres, revistando, batendo, humilhando e cobrando dinheiro de moradores. Em uma das cenas, um automóvel é parado, três ocupantes são revistados e um deles é imobilizado sobre o capô; um policial dispara duas vezes contra o carro e um dos passageiros, atingido na nuca, cai. Em outro trecho, um policial dá tapas no rosto de um homem parado e revista os bolsos de outro, guardando o que encontra.

Situação do original

Original no ar

Procedência da mídia

Trecho publicado por Rede Globo (Jornal Nacional).

Responsabilização

Encerrado. Dos dez PMs envolvidos, nove foram expulsos da corporação e processados. O autor dos disparos foi condenado pelo Tribunal do Júri a 65 anos, julgamento anulado pelo TJ-SP em 1999; no novo júri, em 2000, a pena foi de 47 anos, reduzida em 2001 para 15 anos e 2 meses. Cumpriu nove anos no presídio militar Romão Gomes e passou à prisão domiciliar em agosto de 2006. Outro PM foi condenado a 27 anos (anulado para novo júri) e um terceiro a 18 anos por tentativa de homicídio e abuso de autoridade. Solto desde 2006, o autor dos disparos passou a falar publicamente sobre o caso: à Record em março de 2012 e a pelo menos quatro podcasts entre 2022 e 2024. Perguntado se, não fosse a fita ter vindo a público, o caso teria terminado de outro modo, respondeu que sim, porque não havia prova contra eles. Nas mesmas entrevistas descreve as agressões como método, e não como descontrole: quem passava pelo local era advertido de que, se voltasse, seria tratado como marginal; dos abordados na gravação, cinco teriam sido, na expressão dele, constrangidos mais duramente; e num dos trechos um colega encenou um espancamento atrás de uma parede, mandando o homem gritar como se apanhasse, enquanto ele próprio lhe levava o cacetete. Perguntado se foi ficando mais violento com o tempo, respondeu que sim. A formulação que repete em todas as entrevistas, de 2012 a 2024, é a mesma: "era errado, mas eram os meios que nós tínhamos". Em 2024 acrescentou: "do jeito que nós fomos treinados". Nega que o disparo que matou tenha partido da arma dele, e diz que o arrependimento que sente é pelo sofrimento da própria família.

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Arquivado em: 14/08/2026